sexta-feira, 21 de maio de 2010

As Coisas que a Gente Fala


Foi numa contação de histórias que tive contato pela primeira vez com este texto de Ruth Rocha. Ele traz sabedoria e profetiza que qualquer um de nós estamos sujeitos a vivenciar momentos onde o uso da palavra, verdadeira ou mentirosa, pode ser determinante na construção do SER.

Se trocarmos os nomes, os lugares e as situações, nas devidas proporções, o texto pode revelar o efeito nocivo das "coisas que a gente fala" sobre aqueles que estão perto e, até, longe de nós.


As coisas que a gente fala
saem da boca da gente
e vão voando, voando,
correndo sempre pra frente.
Entrando pelos ouvidos
de quem estiver presente.
Quando a pessoa presente
É pessoa distraída
Não presta muita atenção.
Então as palavras entram
E saem pelo outro lado
Sem fazer complicação.

Mas às vezes as palavras
Vão entrando nas cabeças,
Vão dando voltas e voltas,
Fazendo reviravoltas
E vão dando piruetas.
Quando saem pela boca
Saem todas enfeitadas.
Engraçadas, diferentes,
Com palavras penduradas.

Mas depende das pessoas
Que repetem as palavras.
Algumas enfeitam pouco.
Algumas enfeitam muito.

Algumas enfeitam tanto,
Que as palavras - que
Engraçado!
- nem parece as palavras
que entraram pelo outro lado.


E depois que elas se espalham,
Por mais que a gente procure,
Por mais que a gente recolha,
Sempre fica uma palavra,
Voando como uma folha,
Caindo pelos quintais,
Pousando pelos telhados,
Entrando pelas janelas,
Pendurada nos beirais.



Por isso, quando falamos,
Temos de tomar cuidado.
Que as coisas que a gente fala
Vão voando, vão voando,
E ficam por todo lado.
E até mesmo modificam
O que era nosso recado.



Eu vou contar pra vocês
O que foi que aconteceu,
No dia em que a Gabriela
Quebrou o vaso da mãe dela
E acusou o Filisteu.



- Quem foi que quebrou meu vaso?
Meu vaso de ouro e laquê,
Que eu conquistei no concurso,
No concurso de crochê?



- Quem foi que quebrou seu vaso?
- a Gabriela respondeu
- quem quebrou seu vaso foi...
o vizinho, o Filisteu.



Pronto! Lá vão as palavras!
Vão voando, vão voando...
Entrando pelos ouvidos
De quem estiver passando.
Então entram pelo ouvido
De dona Felicidade:
- o Filisteu? Que bandido!
que irresponsabilidade!
As palavras continuam
A voar pela cidade.
Vão entrando nos ouvidos
De gente de toda idade.
E aquilo que era mentira
Até parece verdade...



Seu Golias, que é vizinho
De dona Felicidade,
E que é o pai do Filisteu,
Ao ouvir que o filho seu
Cometeu barbaridade,
Fica danado da vida,
Inventa logo um castigo,
Sem tamanho, sem medida!
Não tem mais festa!
Não tem mais coca-cola!
Não tem TV!
Não tem jogo de bola!
Trote no telefone?
Nem mais pensar!
Isqueite? Milquicheique??
Vão acabar!



Filisteu, que já sabia
Do que tinha acontecido,
Ficou muito chateado!
Ficou muito aborrecido!
E correu logo pro lado,
Pra casa de Gabriela:
- Que papelão você fez!
Me deixou em mal estado,
Com essa mentira louca
Correndo por todo lado.
Você tem que dar um jeito!
Recolher essa mentira
Que em deixa atrapalhado!



Gabriela era levada,
Mas sabia compreender
As coisas que a gente pode
E as que não pode fazer;
E a confusão que ela armou,
Saiu para resolver.



Gabriela foi andando.
E as mentiras que ela achava
Na sacola ia guardando.
Mas cada vez mais mentiras
O vento ia carregando...



Gabriela encheu sacola,
Bolsa de fecho de mola,
Mala, malinha, maleta.
E quanto mais ia enchendo,
Mais mentiras ia vendo,
Voando, entrando nas casas,
Como se tivessem asas,
Como se fossem - que coisa!
- um milhão de borboletas!

Gabriela então chegou
No começo de uma praça.
E quando olhou para cima
Não achou a menor graça!
Percebeu - calamidade!
- que a mentira que ela disse
cobria toda a cidade!

Gabriela era levada,
Era esperta, era ladina,
Mas, no fundo, Gabriela
Ainda era uma menina.
Quando viu a trapalhada
Que ela conseguiu fazer,
Foi ficando apavorada,
Sentou-se numa calçada,
Botou a boca no mundo,
Num desespero profundo...

Todo mundo em volta dela
Perguntava o que é que havia.
Por que chora Gabriela?
Por que toda esta agonia?
Gabriela olhou pro céu
E renovou a aflição.
E gritou com toda força
Que tinha no seu pulmão:


- Foi mentira!


- Foi mentira!



Com as palavras da menina
Uma nuvem se formou,
Lá no alto, muito escura,
Que logo se desmanchou.
Caiu em forma de chuva
E as mentiras lavou.



Mas mesmo depois do caso
Que eu acabei de contar,
Até hoje Gabriela
Vive sempre a procurar.
De vez em quando ela encontra
Um pedaço de mentira.
Então recolhe depressa,
Antes dela se espalhar.
Porque é como eu lhes dizia.
As coisas que a gente fala
Saem da boca da gente
E vão voando, voando,
Correndo sempre pra frente.



Sejam palavras bonitas
Ou sejam palavras feias;
Sejam mentira ou verdade
Ou sejam verdades meias;
São sempre muito importantes
As coisas que a gente fala.
Aliás, também têm força
As coisas que a gente cala.


Às vezes, importam mais
Que as coisas que a gente fez...


"Mas isso é uma outra história
que fica pra uma outra vez..."

sábado, 27 de março de 2010

Coffe Express




Café, boas companhias, planos... muitos planos.
Tarde típica da Vila de Paranapiacaba.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Hoje faltou energia elétrica




Adoro quando isso acontece!




O escuro é necessário para clarear as ideias e estimular os sentidos e as habilidades.




Estava ao piano quando o breu tomou tudo à volta. Saí no quintal e puxei conversa com os vizinhos. Ouvi e vi os alunos da aula noturna serem dispensados com seus mp10 servindo de faroletes. Olhei para o céu. A lua e as estrelas reluziam de modo que pareciam satisteitas pela falta da iluminação pública. A visão se adaptava... entrei em casa pela porta da sala sem esbarrar nos móveis. A caixa de fósforo fica na janela da cozinha, iluminada pelo luar. Acesa a chama, ela não aguentou chegar ao quarto onde, tenho certeza, deixei a lanterna na primeira gaveta do criado-mudo. Quanto papel cabe nessa gaveta! Sabia que estava sob o calhamaço... Achei! Silêncio mortal. Preciso ligar para ele. Voz aveludada... fará-me companhia até a luz voltar... tomara demore a noite inteira!


Ahhh... Fogos de artifício e crianças eufóricas gritaram juntas com o berro luminoso das luzes da cidade, que atordoaram minha visão.


Espero que a Companhia Energética tenha outras baixas...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Equinócio de Outono ou Minhas Palavras sou Eu

Já passam das duas da manhã do sábado... O ar está fresco e sinto o perfume da dama-da-noite que foi abalada pelo temporal... A cidade silencia, mas as palavras que habitam em mim não querem silenciar. Elas querem extrapolar meus limites, querem ganhar espaço nesta folha de papel, querem preencher o ambiente através da voz do leitor, querem atingir como flecha o ouvinte.
Minhas palavras sou eu. Elas tomaram meu corpo antes mesmo do meu nascimento; já eram escritas, faladas e ouvidas pelos meus ancestrais... Foram se formando, se aglutinando, se modificando e tomando ritmo até pulsarem em mim. O que verbalizo está impregnado no meu sangue.
Tenho “surtos de palavra”, gana de gastar o verbo, seja qual for a linguagem... Não sei se uso o Português, pois a língua está tão cheia de neologismos e estrangeirismos, raízes, prefixos e sufixos de tantas outras línguas e dialetos... Talvez use um brasileirês, paulistês?
Eis um conflito íntimo: será que minhas palavras, o “eu”, atinge o “tu”? O que adianta tantas palavras ao vento, como o perfume da dama-da-noite abalada pelo temporal? Não quero ser perfume, que se dissipa no ar, nem dama-da-noite a despetalar e ressecar sobre o asfalto da cidade! Quero ser temporal, que inunda a cidade, transforma a paisagem, energiza o céu e... abala as damas-da-noite!
Embora tenha esta aparência primaveril, amo o Outono, que fecha ciclos, mas inicia outros (lembrei-me da canção “Águas de Março”). Amo seus fins de tarde coloridos, seus feriados e todas suas lembranças pueris... Que minhas palavras pudessem ser como o Outono: marcantes.
Sofro quando não verbalizo. É como se as palavras não-expressas contaminassem meu sangue, acabando com meu bom-humor. Apaixono-me quando “tu” corresponde “eu”. Sinal que o temporal abalou a dama-da-noite...

Fabiana Paino Granzotto.
10/03/2007.
Nesta foto apareço em ângulo privilegiado, conversando com Fabíola e Gisele, durante atividade no Campus da FSA - "Poéticas das Imagens e Narrativas Visuais em Educação Ambiental" - em pleno Equinócio de Outono (sábado, 20 de março de 2010)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cursos d’água relacionados ao cotidiano

Vista de Santo André no verão de 2008

A dinâmica hidrológica e a geomorfologia regional ditam o cotidiano daqueles que moram na área metropolitana. A rotina diária de quem sai de sua casa para trabalhar, estudar e desenvolver diversas atividades está estritamente relacionada às condições físicas (relevo, clima, hidrografia) e vocação social, econômica e cultural da cidade.

Santo André, onde moro há 32 anos, é uma cidade de muitos rios e córregos - Guarará, Oratório, Apiaí, Meninos, Pequeno, Grande, Carapetuba, Cemitério, Guaixaya, Tamanduateí. Porém, alguns só conheci durante o curso de Geografia, através de mapas. Ignora-se suas existências, modifica-se suas configurações - curvas e meandros, retifica-se, canaliza-se seus cursos naturais e durante boa parte do ano os rios ficam quietinhos. Só se rebelam quando chega o período de chuvas abundantes e suas águas teimam em ocupar o espaço que foi delas.

Vivenciei duas situações de “revolta” do Rio Tamanduateí: uma em janeiro de 1996, quando se tornou uma aventura atravessar o rio, do Centro para o Parque Jaçatuba, à pé, fazendo o percurso, que normalmente leva 15 minutos de transporte coletivo, em 6 horas (pela Estação S. André e Viaduto Adib Chammas); outra em 2004, de carro pela Avenida dos Estados, o rio encheu rapidamente e foi impossível sua travessia para chegar ao Parque Capuava. Em ambas as situações, a solução foi esperar que o nível das águas baixassem e o rio continuasse seu curso.

Pensando em qualidade de vida e economia de tempo e dinheiro, optei por realizar a maioria das minhas atividades no próprio bairro onde resido - Parque Capuava (interflúvio entre o Tamanduateí e Oratório). Moro na Rua Mississipe, que inicia na Avenida das Nações, por onde corre “escondido” o Córrego Guaixaya. Para chegar a uma das escolas que trabalho, localizada no Parque Erasmo, preciso atravessar a avenida, percurso que faço a pé.

Já observei que em dias quentes e secos percebe-se o mal cheio exalado pelas “aberturas” , nas proximidades da Coop; em dias chuvosos, toda a água da enxurrada escoa para a avenida. O asfalto da pista, onde o tráfego de veículos é mais intenso, está todo danificado. As casas mais próximas da avenida apresentam muita umidade.

Há mais de trinta anos atrás o Córrego Guaixaya corria aberto e sua várzea era ocupada por vegetação (mamona) e crianças brincavam enquanto os adultos pescavam - é o que os mais velhos relatam, pois depois do loteamento, planificação e impermeabilização dessa área muitos até desconfiam de que um curso d’água corra sob seus pés.

É fato que a preocupação com rios e córregos aumentam com a chegada da estação úmida. O cotidiano das pessoas é alterado pelo ciclo natural (que deve ser combatido? Combate contra as enchentes? Contra o ciclo natural?) e não se planeja / executa ações efetivas que relevem o conhecimento dessa dinâmica.





Fabiana Paino Granzotto
Santo André, 19 de dezembro de 2009.


(Ed. Ambiental e Sustentabilidade)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Devaneios...




Faz tempinho que publiquei no flog, mas merece reprise:




06/04/08

O que ficou de "Os Devaneios da Intimidade Material"



-A vontade de olhar para o interior das coisas torna a visão aguçada, a visão penetrante. Transforma a visão numa violência. Ela detecta a falha, a fenda, a fissura pela qual se pode violar o segredo das coisas.




-Ver além do que se vê; ir para dentro do outro: o outro é uma convocação imediata, um pedido de socorro.




-Decerto a felicidade é expansiva, tem necessidade de expansão. Mas também tem necessidade de concentração, de intimidade. Trata-se de uma grande felicidade porque ela é uma felicidade oculta. Todo interior é protegido por um pudor.




-Mas se um sonhador, acredita que a natureza é artista, que a natureza pinta e desenha, não poderá ela esculpir tanto a estátua de pedra, quanto moldá-la na carne?




-O sonhador, em sua vontade de potência insidiosa, identifica-se com uma força que impregna para todo o sempre. A marca pode apagar-se. A tintura certa é indelével.




-A admiração é a forma primária e ardente do conhecimento, um conhecimento que enaltece seu objeto, que o valoriza. Um valor, no primeiro encontro, não se avalia: admira-se.




-O interior sonhado é calido, jamais ardente. O calor sonhado é sempre suave, constante, regular. Pelo calor, tudo é profundo. O calor é o signo de uma profundidade, o sentido de uma profundidade....




Confirmação de muitas coisas.


Fiquei experimentando e digerindo esse texto durante o final de semana.


Que eu não deixe de me apaixonar...


Que eu não duvide tanto...


Que eu permita outras possibilidades...


Que eu sinta prazer no final.

fabiana paino granzotto disse em 08/04/08 21:45 …
Noite passada sonhei que tinha por tarefa pintar um quarto. No sonho, preparava a tinta branca numa bandeja e a ela pingava gotas de tinta preta (para criar um "cinza claro"). Misturava-as com as mãos, como quem brinca em água com sabão. E isso era bom, mesmo sabendo que deveria usar, pelo menos, um par de luvas ou um pincel para tal façanha.






Fabiana Paino Granzotto, ao ler e experimentar Gaston Bachelard no "Oralidade Poética"e admirar uma tarde outonal.

sábado, 28 de novembro de 2009

Paranapiacaba - Um ensaio a partir da atividade realizada em 10 e 11 de outubro de 2009





Por Fabiana Paino Granzotto

“É sabido que Mário de Andrade dizia que São Paulo era a Londres das neblinas frias. A primeira vez que passei em Paranapiacaba, essa frase me pareceu mais ajustada à estação e à vila operária e ferroviária de Paranapiacaba: a Londres dos nevoeiros de São Paulo, certamente, é a Vila de Paranapiacaba.”
(Aziz Ab’Saber, 1985)

“Primeiras impressões: foi triste e acabrunhante se as primeiras impressões que tive de Paranapiacaba e da Paróquia. A falta de luz elétrica em todo o Morro e o barulho incessante das locomotivas bem podem ter concorrido para estas impressões primeiras. Sobretudo, parece-me Paranapiacaba um recanto abandonado de todos e um lugar carecendo de tudo”.
(Newton Loureiro de Sousa, 1956)



Estive em Paranabiacaba em agosto de 1997, pela primeira vez, para a realização de um trabalho de campo cujo foco era o início da urbanização da região do Grande ABC através da construção e funcionamento da estrada de ferro São Paulo Railway, para o curso de graduação em Estudos Sociais. Mesmo morando e estudando em Santo André durante toda vida, ainda não conhecia a Vila e me surpreendi com as peculiaridades do lugar - o clima, as construções, as pessoas e os ritmos remetiam-me a um tempo-espaço distinto, que não era um “agora-aqui”.

Com o Festival de Inverno de Paranabiacaba acontecendo há nove anos, passei a visitar a Vila durante o evento, anualmente. Percebi mudanças relacionadas ao comportamento dos moradores, que tiveram que adequar suas rotinas para receberem os turistas nessa época.

Em 2006, realizei um trabalho com crianças que envolveu pesquisa e visita monitorada a vários pontos do município de Santo André. No roteiro estava programada a ida ao Parque Municipal Nascentes de Paranapiacaba. Foi quando busquei informações, conheci e me interessei por projetos de Educação Ambiental, tendo este referencial.

“... em relação às ações de preservação, deve-se ressaltar a importância do tratamento a ser dado a Paranapiacaba enquanto conjunto: vila ferroviária, ‘parte alta’ e área natural, configurando a expressão uma da outra em uma mesma paisagem”
(Comissão Especial Pró Paranapiacaba, 1987)


“... a base correta de ‘como preservar’ está na elucidação popular, na educação sistemática que difunde entre toda a população, dirigentes e dirigidos, o interesse maior que há na salvaguarda de bens comuns...”
(Carlos A. C. Lemos, 1981)

Em outubro de 2009, o grupo de Educação Ambiental e Sustentabilidade da FSA (do qual sou discente) realizou uma visita à Vila de Paranapiacaba, instalando-se no Centro de Estudos e Formação Socioambiental nos dias 10, 11 e 12 para atividades de sensibilização e racionalização. Esta saída do grupo para o trabalho a campo proporcionou a reflexão, o planejamento de ações e a ampliação de possibilidades para a resolução de problemas que permeiam não só a Vila, mas a relação que se tem com o ambiente. Dentre alguns apontamentos, destacarei os problemas que nosso grupo identificou e as possibilidades e esperanças frente à situação vivenciada:

Descaso
Indiferença
Desvalorização
Falta de estrutura para o turismo
Individualismo
Nosso consumismo
Falta de projetos consolidados



Harmonia
Ações em rede
Valorização
Melhora na estrutura turística da Vila
União
Sustentabilidade
Políticas públicas efetivas

Passados doze anos ainda me encanto e tenho a certeza de que conhecerei e aprenderei algo novo a cada passagem por lá.


Fabiana Paino Granzotto
27/11/2009.
(para a disciplina de Tópicos de Ciências Ambientais - curso de Pós-Graduação em EAS/ 2009)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Escola tem que ter todo dia! Tem?


Escola tem que ter todo dia...


Bom seria se o currículo escolar fosse mais flexível e próximo da realidade dos alunos e dos professores. Veja isto: o programa curricular do Estado propõe textos e imagens que não fazem o menor sentido para ninguém. O que adianta trabalhar a imagem noturna via satélite do planistério com indicações de poços de petróleo e de gás natural e áreas de queimadas? Quem vai querem saber onde ficam concentrados o petróleo, o gás natural ou áreas de queimadas à noite? Rs. Ou ainda solicitar aos alunos que escrevam uma carta a um amigo de Portugal relatando uma viagem intercontinental como as que aconteciam no século XVI... amigo em Portugal? Viagem intercontinental numa caravela, orientados por cartas náuticas, bússolas e astrolábios? Ah tá!...


Li uma proposta curricular que me deixou empolgada (em Alice no País das Maravilhas):

Cursos especiais:

- Francês

- Música

- Lavagem de roupas

Matérias regulares:

- Língua Pétrea

- Línguas Clássicas: Gringo e Latir

- Taburrada

- Aritmética: Ambição, Distração, Enfeiação e Gozação

- Mistória: Antiga e Moderna

- Marografia

- Desdenho: Esticamento Linear e Desmaio em Espirais


O melhor de tudo é a carga horária: dez horas no primeiro dia, nove no segundo e assim por diante. O décimo primeiro dia é considerado feriado!Escola tem que ter todo dia? Depende de que escola se quer...

Algumas situações e imposições me desanimam... gostaria de entrar nas salas e conversar com os alunos, jogar baralho com eles e não ter que vistar seus cadernos, nem corrigir tuas tarefas e pesquisas. Palavras certas ditas no momento preciso ensinam mais que lição de moral e lousa cheia.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Educação Ambiental e Ecologia: Conceitos e Interfaces


1. Sobre o módulo: "Educação Ambiental" - Foi fundamental principiar nossos encontros acessando o conhecimento prévio dos participantes sobre o que é meio ambiente e Educação Ambiental e quais as atividades que podem ser realizadas no âmbito escolar. Quanto à apresentação sobre a Instituição e as ações desenvolvidas no SEMASA, posso dizer que ela também contribuiu para fortalecer o vínculo e a possibilidade de parcerias com a Educação, na realização de um trabalho que privilegie a informação e a mudança de atitudes em relação ao meio ambiente, em nosso município.

2. Sobre o módulo: “Conceitos de Natureza” -
Este módulo favoreceu a análise crítica sobre a visão de “natureza”, desde a Antiguidade até a Pós Modernidade e, particularmente, provocou muita inquietação e curiosidade. A partir desse encontro, busquei outras leituras - na internet, na biblioteca do Parque Erasmo, na sala de leitura e videoteca da escola, no acervo pessoal - e apresentei esse tema nas salas de aula do EF e EM, com a linguagem apropriada a cada faixa etária (dos 9 aos 16 anos).

3. Sobre o módulo: “Conceitos de Ecologia” -
A exposição do tema, o debate, as referências e a integração entre os participantes desse módulo contribuíram para ampliar conhecimentos sobre níveis de organização de vida, ecossistemas e biomas, ciclos biogeoquímicos e reciclagem, reafirmar algumas práticas e possibilitar outras, dentro e fora do âmbito escolar.

4. Nas suas atividades pedagógicas, como o conteúdo desse curso pode se aplicado?
De diversas maneiras: projetos, que se desenvolvam da problematização à busca de resultados/soluções para as questões impactantes sobre o meio ambiente; visitas monitoradas, que objetivem o contato com o meio natural e com o meio antropizado; aulas dialogadas, que possibilitem a exposição de idéias e opiniões sobre o meio ambiente; exibição de filmes e documentários, que explorem essa temática; contato com bibliografia especializada - literatura infantil, livros de Ciências Naturais e Geografia, revistas e publicações periódicas sobre o tema, etc.; buscas pela Internet em aulas no Laboratório de Informática.

5. Críticas e sugestões:
Tenho muito a agradecer a todos da equipe de Educação Ambiental, em especial a Ana Villas Boas, Robson Moreno, Camila e a Silvana Aparecida (do Centro de Referência). Pois se propuseram a compartilhar conosco, professores, seus conhecimentos e vivências acerca da EA e qualidade de vida da população de nossa cidade e a abrir as portas do SEMASA para nos mostrar esse espaço privilegiado de informações e excelência no trato das questões ambientais. Sugiro a continuidade dessa integração SEMASA e Educação, novos encontros e contato (via e-mail, via SEFP,...) permanentes.
Muito obrigada!




Santo André, 08 de outubro de 2009.


Fabiana Paino Granzotto.


(Para GEEMA/Depto. de Gestão Ambiental
SEMASA - avaliação final do curso ministrado de 24/08/09 a 21/09/09)